Além de teles, EUA grampeiam massivamente a Internet


Depois da comprovação de que o governo dos Estados Unidos tem acesso a todas as chamadas telefônicas de clientes da Verizon, não chega a surpreender que outras empresas de telecomunicações estejam no mesmo barco, como destacaram reportagens do jornal inglês The Guardian e do americano Washington Post. 



Entre as teles, pelo menos AT&T e Sprint fazem certamente parte da lista de ordens judiciais secretas que permite à Agência de Segurança Nacional (NSA) e ao FBI acesso às ligações. O escopo é muito mais amplo, no enanto. Os “grampos” avançam sobre quase uma dezena de empresas de Internet. 
Como mencionado, não é exatamente surpreendente que a NSA, que ao menos desde a década de 1980 controla um “super-grampeador global”, conhecido como Echelon, tenha ampliado suas capacidades ao mundo das redes de computadores. 
O que os periódicos demonstraram com documentos é um pouco da extensão dessas capacidades. A partir de um programa chamado PRISM, as agências americanas recrutaram o primeiro parceiro na Internet em 2007, com acesso a informações da Microsoft. Na sequência vieram Yahoo, Google, Facebook, PalTalk, YouTube, Skype, AOL e Apple. 
Segundo o divulgado, NSA e FBI “grampeiam diretamente os servidores centrais das nove principais empresas de Internet dos EUA, extraindo conversas de áudio e vídeo, fotografias, e-mails, documentos e logs de conexões”. Não escapam da vigilância os serviços de voz sobre IP, de transferência de arquivos ou os detalhes das redes sociais. 
Apesar do clima de escândalo na imprensa dos EUA, também lá já se percebe a reação para minimizar as revelações. Diversos senadores americanos fizeram declarações de que não há razões para alarme, visto que no Senado dos EUA esses fatos são conhecidos pelo menos desde 2007 – ainda que não tenham ido ao conhecimento público como acontece agora. 
De outra parte, o Diretor Nacional de Inteligência, James Clapper, soltou uma declaração na qual, na prática, acusa os veículos de comunicação de “divulgação de informações confidenciais”. “A divulgação não autorizada de um documento judicial ultrassecreto potencialmente ameaça no longo prazo e prejudica de forma irreversível nossa habilidade em identificar e responder às muitas ameaças que a nação enfrenta”.